quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Mês da Consciência Negra em Limeira - Novembro de 2012

Pronunciamento do Presidente do Comicin, José Benedito de Barros

Estamos dando início ao Mês da Consciência Negra em nosso município de Limeira-SP. Durante este mês estaremos realizando diversas atividades que visam conclamar a toda a sociedade e aos órgãos públicos para que reflitamos sobre a história do Brasil e de Limeira e olhemos para a história do povo negro afro-brasileiro, fazendo um esforço para compreender as verdadeiras causas da desigualdade etnorracial e a necessidade de políticas públicas de reparação.

A desigualdade etnorracial não é ficção. Alguns dados oficiais podem nos ajudar a entender o quadro de desigualdade etnorracial em nosso país.

As condições de vida da população negra são significativamente piores do que no caso da população branca, qualquer que seja a variável observada.
Alguns exemplos a partir dos dados da Pnad/IBGE para o ano de 2008:
– o trabalhador negro ganha em média pouco mais de metade do que ganha um trabalhador branco (R$ 407,35 contra R$ 778,35);
– o percentual da população negra abaixo da linha da indigência é duas vezes e meia maior do que o da população branca (15% contra 6,2%);
– a população negra representa 68%dos pobres e 71% dos indigentes do país.
- a população negra tem, em média, quase dois anos a menos de estudo que a população branca (8,3 anos contra 6,6 anos);
- o percentual de analfabetismo entre os negros é mais que o dobro do que entre os brancos (13,6% contra 6,2%);
- cerca de 571 mil crianças de 7 a 14 anos não freqüentavam a escola, das quais 351 mil (62%) eram negras.
(http://sistemas.mre.gov.br/kitweb/datafiles/IRBr/pt-br/file/STF_-Ipea_-_mar%C3%A7o-1.pdf)

Diante desse quadro, aclamamos as várias políticas públicas em andamento em nosso país, nas várias esferas de governo, que visam o equilíbrio social e a construção da igualdade etnorracial.
No âmbito federal temos a Lei 12.288, de 20 de julho de 2010, conhecido como Estatuto da Igualdade Racial. Temos ainda as Leis 10.639/2003 e 11.645/2008, que visam inserir nos currículos escolares a história e a cultura afro-brasileira e indígena. Temos também políticas públicas que reservam vagas em Universidades Federais para alunos provenientes de escolas públicas e do segmento afro-brasileiro e indígena.
No âmbito municipal, em Limeira, temos algumas leis, dentre elas, a Lei 3.691, de 13 de março de 2004, que determina a reserva de 20% das vagas a serem preenchidos no serviço público sejam destinados aos afro-brasileiros. Essa reserva de vagas abrange os cargos a serem preenchidos por concurso público, os cargos de direção, de chefia, de assessoramento, em comissão, bem como os funcionários de empresas contratadas para prestarem serviço ao município. Neste mesmo sentido, há em vigor a Lei 4562/2010, de autoria do vereador Ronei Martins, que determina ao Poder Executivo Municipal de Limeira, ao contratar agência de publicidade e propaganda, que preveja em seu termo contratual a inclusão de, no mínimo 20% (vinte por cento) de artistas e modelos negros, na realização de comerciais ou anúncios publicitários.
Precisamos, pois, garantir a plena implementação das políticas públicas em andamento nas várias esferas de governo, mas entendemos que é preciso uma esforço maior para atingir plenamente nossos objetivos.
Conclamamos a todos para que nesse mês da consciência negra, façamos um esforço para divulgar as políticas públicas em andamento, bem como outras reivindicações da comunidade negra de Limeira, para que a igualdade etnorracial se torne, de fato, uma realidade.

José Benedito de Barros
Presidente do Comicin
Conselho Municipal dos Interesses do Cidadão Negro

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Gírámà Ìpìlẹ̀ Yorùbá (Gramática Básica Yorubá)



Trata-se de um texto resumido que trabalha dos principais elementos da gramática do idioma africano yorubá.
O presente trabalho é uma contribuição para todos aqueles que buscam cultivar as raízes africanas no Brasil, principalmente, da civilização e da língua yorùbá. Não se pretendeu esgotar o assunto. Trata-se de algo sucinto. O leitor deste trabalho poderá aprofundar seus conhecidos acessando as obras citadas na bibliografia.
Conteúdo: ABC da língua yorubá (Abidi), verbos, substantivos, adjetivos, preposições, pronomes, números, conjunções, advérbios, nome dos meses, nome dos dias da semana, textos, vocabulário e áudio de pronúncia em mp3.

Autor: Professor Mestre José Benedito de Barros (Olùkọ́ José Benedito), do Instituto Educacional Ginga (IEG) e do Conselho Municipal dos Interesses do Cidadão Negro (Comicin), ambos de Limeira – SP.
Edição: Texto pdf e áudio em mp3.
Páginas: 29.
Preço: R$ 30,00.
Pedidos por email: ieglimeira@gmail.com
Pedidos por facebook: www.facebook.com.br/olukojosebenedito
Forma de envio: email.
Forma de pagamento: depósito bancário.
Disponível a partir de 28/09/2012.

Palavras chaves: Cultura afro-brasileira; Idiomas africanos; Idioma Yorùbá; Gramática Yorùbá.

Amostra do Texto.

3.3.10 - Frases afirmativas no futuro (versão 1).

Mo máa bọ̀ ṣẹ iṣẹ́ l’oko - Eu virei trabalhar na fazenda.
O máa bọ̀ ṣẹ iṣẹ́ l’oko - Você virá trabalhar na fazenda.
Ó máa bọ̀ ṣẹ iṣẹ́ l’oko - (Ele (ela) virá trabalhar na fazenda.
A máa bọ̀ ṣẹ iṣẹ́ l’oko - Nós viremos trabalhar na fazenda.
Ẹ máa bọ̀ ṣẹ iṣẹ́ l’oko - Vocês virão trabalhar na fazenda.
Wọn máa bọ̀ ṣẹ iṣẹ́ l’oko - Eles/elas virão trabalhar na fazenda

domingo, 29 de julho de 2012

A linguagem racista no Brasil

José Benedito de Barros

Ontem (27/07/2012) proferi palestra sobre educação para as relações etnorraciais. Isso aconteceu no evento denominado “Mulher negra e afrodescendente na família”.

O evento foi organizado pelo Departamento de Cultura Afrodescendente e da Integração Étnica – DECADIE, de Limeira-SP.

Dividi minha exposição em três partes: 1) levantamento de alguns aspectos de nossa linguagem etnorracial; 2) legislação sobre as relações raciais no Brasil; 3) Algumas pistas para mudança da realidade.

Pretendo com este texto relatar um pouco o conteúdo da palestra e, ao final, em forma de anexo, apresentar um pequeno vocabulário que compilei a respeito do tema.
Em relação à linguagem etnorracial, nós brasileiros, utilizamos expressões que expressam relações raciais marcadas por tensões que se foram acumulando ao longo da história.

Distinguimos “magia branca” de “magia negra”. Quando alguém nos deprecia dizemos que estão “denegrindo nossa imagem”. Quando conhecemos uma pessoa negra, que é “gente boa”, dizemos que ela é “negra de alma branca”. Quando a situação está ruim, dizemos que “a coisa tá preta”. Quando queremos nos referir ao futuro e não vemos boa perspectiva, dizemos que “nosso futuro será negro”. Uma mãe negra uma vez me disse: “em tenho duas filhas, uma tem cabelo ruim e outra tem cabelo bom”.

Quando queremos falar de religião dizemos que a religião do negro é a macumba (candomblé, Umbanda), sendo que macumba, nessa visão equivaleria à “magia negra”. A religião do branco (religião boa) seria o cristianismo. Como se pode perceber, nas entrelinhas, as palavras “branco” e “negro” (ou preto) tem, no contexto das relações raciais no Brasil, significados opostos, sendo que a primeira significa “bom” e “a segunda significa “ruim”.

Assim, magia boa seria a branca; magia ruim seria a negra; alma boa seria a branca; alma ruim seria a negra; sujar o nome de alguém é denegrir (enegrecer), enquanto que limpar o nome de alguém é branquear. Cabelo de branco (liso) é bom; cabelo de negro (crespo) é ruim. A linguagem etnorracial brasileira nos indica que nossas relações são marcadas pelo preconceito e pela discriminação.

Para reverter esse quadro tem-se adotadas políticas públicas em nível federal, estadual e municipal. Algumas legislações podem ser citadas: Estatuto da Igualdade Racial, Lei 10.639/2003, Lei 11.645/2008, Código Penal, Lei de Crimes Raciais (Lei 7716/89), dentre outros.

Nosso intuito aqui não é analisar com profundidade todas as políticas, mas apenas comentar alguns aspectos das mesmas. Comentarei brevemente as Leis 10.639/2003 e 11.645/2008. Essas leis modificaram a Lei 9394/96 - LDB – Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional que determina que na educação e no ensino se respeite a diversidade cultural de nosso povo, principalmente dos povos europeus, afrobrasileiros e indígenas. Esse entendimento hoje é estendido aos asiáticos que chegaram ao Brasil mais recentemente. Pois bem, a duas leis tratam da educação para as relações etnorraciais e do ensino da história e da cultura afro-brasileira e indígena.

Como se vê temos aí uma perspectiva multicultural da educação brasileira. Embora se reconheça alguns avanços, as poucas pesquisas a respeito do tema, tem revelado grande resistência para a plena implantação dessas políticas.

Há muito que se fazer ainda. Defendo que nos empenhemos coletivamente para fazermos gestão junto aos governos e aos sistemas de ensino para que seja implantada de fato uma gestão pública que reconheça e valorize a diversidade etnorracial de nosso povo e, ao mesmo tempo, uma educação que de fato problematize a realidade do preconceito, da intolerância e da discriminação que permeia a realidade educativa brasileira, seja ela na escola ou fora da escola. O que se quer é uma política que reconheça, valorize e respeite, a diversidade etnorracial e cultural de nosso pais.

Anexo: pequeno vocabulário sobre relações etnorraciais

RACISMO. O racismo é a doutrina ou crença que defende a existência de raças humanas superiores e raças e raças humanas inferiores, com base nas diferenças biológicas. http://pt.wikipedia.org/wiki/Racismo

MACHISMO. Doutrina ou crença que defende que os homens são superiores às mulheres. http://pt.wikipedia.org/wiki/Machismo

FEMINISMO: Movimento que defende a igualdade entre homens e mulheres. http://pt.wikipedia.org/wiki/Machismo

PRECONCEITO. O preconceito é um juízo sobre pessoas e coisas sem fundação científica. Espécies: preconceito de raça, de cor, de religião, de procedência regional ou nacional, de gênero, de orientação sexual. http://www.mundoeducacao.com.br/sociologia/preconceito.htm

ESTEREÓTIPO. Estereótipos são generalizações que as pessoas fazem sobre comportamentos ou características de outros, e é um termo de origem grega. Estereótipo significa impressão sólida, e pode ser sobre a aparência, roupas, comportamento, cultura e etc. Ex.: Brasil, país do futebol; Negro, pagodeiro; Rico, educado; Pobre, grosseiro. http://www.significados.com.br/estereotipo/

SEGREGAÇÃO. A segregação é a separação ou distanciamento físico ou social. http://www.dicio.com.br/segregacao/

DISCRIMINAÇÃO. Ato ou efeito de discriminar. Discriminar: fazer distinção entre coisas ou pessoas. http://pt.wikipedia.org/wiki/Discrimina%C3%A7%C3%A3o

CRIME DE RACISMO. O crime de Racismo será aplicado quando as ofensas não tenham uma pessoa ou pessoas determinadas, e sim venham a menosprezar determinada raça, cor, etnia, religião ou origem, agredindo um número indeterminado de pessoas. Ex.: negar emprego a judeus numa determinada empresa, impedir acesso de índios a determinado estabelecimento, impedir entrada de negros em um shopping, etc. LEI Nº 7.716, DE 5 DE JANEIRO DE 1989. Define os crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor.

Art. 1º Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. Penas: reclusão de 1 a 5 anos.
(...)

Art. 20. Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. (Redação dada pela Lei nº 9.459, de 15/05/97) Pena: reclusão de um a três anos e multa. http://blog.tribunadonorte.com.br/cenajuridica/racismo-ou-injuria-racial-quais-as-diferencas/769 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L7716.htm

INJÚRIA RACIAL. Há a injúria racial quando as ofensas de conteúdo discriminatório são empregadas a pessoa ou pessoas determinadas. . Ex.: negro fedorento, judeu safado, baiano vagabundo, alemão azedo, etc. Tal crime está disposto no artigo 140, § 3º do CP. Injúria (Código Penal)

Art. 140 - Injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro: Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa. (...) § 3o Se a injúria consiste na utilização de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião, origem ou a condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência: (Redação dada pela Lei nº 10.741, de 2003) Pena - reclusão de um a três anos e multa. (Incluído pela Lei nº 9.459, de 1997) http://blog.tribunadonorte.com.br/cenajuridica/racismo-ou-injuria-racial-quais-as-diferencas/769 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2848compilado.htm

*José Benedito de Barros, Mestre em Educação (Unesp); Bacharel e Especialista em Direito; Licenciado em Filosofia; Professore de Línguas e Culturas Africanas; Advogado; Membro do Instituto Educacional Ginga (IEG), da Associação dos Conselheiros Espirituais de Limeira (ACEL) e do COMICIN – Conselho Municipal dos Interesses do Cidadão Negro. Email: jbenebarros@yahoo.com.br – Blog.: www.profjosebenedito.blogspot.com Facebook: www.facebook.com.br/olukojosebenedito - Twitter: @JOBENEDITO

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Ẹ̀kọ́ Maárùn (Aula 4): Sísọ̀rọ̀ nípa ènìyàn

(Falando a respeito de pessoas) (Falando a respeito de pessoas)

Texto em ingles: Kunle came back the next day and found Tunji.

Texto em português: Kunle voltou no dia seguinte e encontra Tunji

Kúnlé (K) / Túnjí (T):

K: Túnjí, báwo ni nǹkan?
T: Dáadáa ni. Jọ̀wọ́ má bínú.
K: Níbo l´o lọ lálẹ́ àná. Mo wá sí ilé ẹ lẹ́ẹ̀mejì lálẹ́ àná.
T: Mo gbọ́ bẹ́ẹ̀. Mo lọ rí ọmọ kíláàsì mi kan ni.
K: Ki l´orúkọ ẹ̀? T: Kimberly. K: Ọmọ ìlú ibo ni?
T: Ọmọ ìlú Amẹ́ríkà ni, ṣùgbọ́n ó jẹ́ akẹ́kọ̀ọ́ ní yunifásítì ti Ìbàdàn nísisìyí. Àwọn ẹbi ẹ̀ ń gbé ní New York.
K: Ṣé a lè jìjọ lọ kí i lọ́la?
T: Bóyá.

Tradução
K – Túnjí, como vão as coisas?
T – Bem. Por favor, não me aborreça.
K – Aonde você foi ontem à noite? Eu estive em sua casa duas vezes ontem à noite.
T – Eu ouvi isso. Eu fui ver minha colega de classe.
K – Qual é o nome dela? T – Kimberly.
K – Qual é a nacionalidade dela?
T – Ela é cidadã norte americana, mas ela tornou-se aluna da universidade de Ibadan agora. Seus familiares moram em New York.
K – Será que podemos ir juntos visitá-la amanhã?
T – Talvez.

Kini orúkọ mi? / Qual é o meu nome?
Kini orúkọ rẹ? / Qual é o seu nome?
Kini orúkọ rẹ̀̀ / Qual é o nome dele/dela?
Kini orúkọ wa? / Qual é o nosso nome?
Kini orúkọ yín? / Qual é o nome de vocês?
Kini orúkọ wọn? / Qual é o nome deles?

Nomes Africanos yorubá

Abàmi = extraordinário, famoso, notável. (m)
Abayọ̀mi = Nascido para trazer alegria. (m)
Abimbolà = Nascido rico. (m)
Abiodún = Nascido em tempo de festa. (m)
Adebayọ̀ = Veio um tempo de alegria. (m)
Àdùkẹ́ = aquela que é amada. (f)
Àdùnní = Aquela que é agradável e doce. (f)
Afolabi – Nascido com fama. (m)
Akinshegun = O valor conquista. (m)
Akinsheye = O valor age honradamente. (m)
Akinyele = A valentia beneficia esta casa. (m)
Akintunde = O esperado voltou. (m)
Ayọ̀delé = A alegria chega a esta casa. (f )
Ayọ̀femi = A alegria gosta de mim. (f)
Babafemi = Meu pai me ama. (m)
Babatunde = O pai voltou novamente. Representa o retorno de tudo aquilo que um antepassado masculino próximo significa para a família (fortuna, honra, alegria, segurança, harmonia). (m)
Bandele = Nascido longe de casa. (m)
Bamidelé = esperança. (f)
Funmilayọ̀ = Dê-me felicidade. (f)
Iyafemi = A mãe me ama. (f)
Iyatunde = A mãe voltou. Representa o retorno de tudo aquilo que um antepassado feminino próximo significa para a família (fortuna, honra, alegria, segurança, harmonia). (f)
Kayọ̀dé = Ele trouxe alegria. (M)
Obatayie = Rei do mundo. (m)
Obawolé = O rei entra na casa. (m)
Olanyian = As honras cercam-me. (m)
Olubayọ̀ = A mais alta alegria (m)
Ominilé = Água na casa. Representa as energias das águas em uma casa. A água torna possível a vida. (f)
Òmìnira = Liberdade, independência. (f ou m)

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Nṣe ibéèrè nlò ọ̀rọ̀ ìṣe “ni”: fazendo perguntas utilizando o verbo "ser ou estar"

Fazendo perguntas utilizando o verbo “ser ou estar”.
(Nṣe ibéèrè nlò ọ̀rọ̀ ìṣe “ni”)

1) Qual é o seu nome?
(Kini orúkọ rẹ?)

Ki ni orúkọ rẹ
Qual é nome seu

2) Qual é o nome dela?
(Kini orúkọ rẹ̀̀)

Ki ni orúkọ rẹ̀̀
Qual é nome dela

3) Qual é o nome de cada um deles?
(Kini orúkọ wọn?)

Ki ni orúkọ wọn
Qual é nome deles

4) Qual é o meu nome?
(Kini orúkọ mi?)

Ki ni orúkọ mi
Qual é nome meu

5) Qual é o nome de cada um de vocês?
(Kini orúkọ yín?)

Ki ni orúkọ Yín
Qual é nome seus

6) Qual é o nome de cada um de nós?
(Kini orúkọ wa?)

Ki ni orúkọ wa
Qual é nome nosso

Aprenda mais sobre a língua yorubá nos links abaixo e em nossa aula presencial:

http://ieglimeira.blogspot.com
http://profjosebenedito.blogspot.com

Próxima aula presencial de yorùbá: 28/04/2012, das 9 às 12 horas.
Rua Senador Vergueiro, 122, Centro, Limeira-SP.

Olùkọ́ José Benedito de Barros

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Itọ́jú: a essência da espiritualidade africana tradicional está no cuidado

Por José Benedito de Barros

Culto aos orixás, voduns, inkices, eguns; ebós, feitiços, macumbas, mandingas. Estas e outras atividades são comumente atribuídas à espiritualidade tradicional africana. Mas qual é de fato a realidade? Qual e a essência da espiritualidade africana tradicional?

Trata-se de questão difícil, pois a quantidade de maneiras de exercício da espiritualidade entre os africanos tradicionais na África e na diáspora é proporcional à quantidade de povos e culturas africanas. Por isso, neste pequeno texto, pretendemos nos contentar com uma visão sucinta da espiritualidade tradicional africana yorubá. Desde já advertimos que não é nosso intuito esgotar o tema, mas apenas apresentar um breve recorte interpretativo.

Muitos praticantes da espiritualidade africana, notadamente os cultuadores de orixá, muito se preocupam em realizar seus ebós, que consistem em oferendas e sacrifícios aos seus orixás. Pensam com isso estar cuidando de seus orixás. Pois bem, propomos uma outra maneira de entender a questão.

A histórica e cultura yorubá nos mostram que nossa preocupação tem que ser com o cuidado (itọ́jú). Devemos cuidar de nós mesmos, de nossa casa dos membros de nossa família, de nossa comunidade e de nossa sociedade. Devemos ainda cuidar do nosso mundo material (àiyè) e de tudo o que há nele.

1. O cuidado de nós mesmos (orí, ara, ẹ̀mí, ìwà).

Tọ́jú orí rẹ. Cuide de sua cabeça. O orí é nossa cabeça, que compreende tanto a nossa cabeça física quanto nossa cabeça interior (orí inú). No orí estão nossos pensamentos, nossos sentimentos, nossa consciência. Estar com um orí saudável é garantia de reflexões consistentes e tomadas de decisões acertadas. Bons estudos, pesquisas, lazer e cultivo de boas amizades podem ajudar a ter um bom orí.

Tọ́jú ara rẹ. Cuide de seu corpo. O ara é nosso corpo. O cuidado com nosso corpo revela muito do que somos. O cuidado com o corpo envolve, entre outras coisas, a higiene (ìmọ́tótó), a boa alimentação (ounjẹ) e a boa saúde (ìlera).

Tọ́jú ẹ̀mí rẹ. Cuide de seu espírito. O ẹ̀mí é a própria vida representada pela respiração. Aqui não se trata de uma vida qualquer, mas de vida digna, de vida longa, de vida significativa. Cada ser humano precisa descobrir ou escolher uma função para exercer em sua casa (ilé), na sua rua (ìta) na sua família (ìdílé) e na comunidade ou sociedade (ẹgbẹ́). Cuidar do ẹ̀mí significa cultivar hábitos pessoais e sociais saudáveis, que conservem e prolonguem a existência individual e coletiva.

Tọ́jú ìwà rẹ. Cuide de suas maneiras, de seu caráter. Ter um bom comportamento é fundamental. De nada adianta rituais religiosos bem feitos, grandes conhecimentos adquiridos com a educação escolar, se o caráter é ruim, se as maneiras são deselegantes. Precisamos cultivar o ìwàrere (bom caráter), o ìwà-pẹ̀lẹ́ (gentileza), o ìwà-ọ̀run (virtude) e ìwà mímọ́ (requinte, elegância, qualidade). Precisamos evitar o ìwà-àìmọ́ (comportamento sujo), ìwà ìbàjẹ́ (corrupção, mau comportamento) e o ìwà-búrurú (mau caráter).

2. O cuidade de nossa família, da comunidade e da sociedade (ilé, ìdílé, ìta e ẹgbẹ́)


Tọ́jú ilé rẹ. Cuide de sua casa. Ilé é a casa, tanto o espaço de convivência quanto a família (ìdílé). Na família há o pai (bàbá), a mãe (iyá), o avô bàbánlá, a avó (iyánlá) e filhos (àwọn ọmọ). Há ainda os outros parentes (arás). Na casa, pais e mães têm a obrigação de cuidar bem de seus filhos. Os filhos devem honrar pai e mãe e, quando for necessário, também cuidar deles.

Tọ́jú ìta àti ẹgbẹ́ rẹ. Cuide de sua rua e de sua comunidade ou sociedade. Se cuidarmos bem de nós mesmos, de nossa casa e de nossa família, estaremos prontos para enfrentar os problemas da rua e de nossos vizinhos (ìta) bem como os da comunidade ou sociedade (ẹgbẹ́).

3. O cuidado do planeta (àiyè)

Tọ́jú àiyè tiwa. Cuide de nosso planeta terra. O “àiyè” é nosso mundo material, enquanto que “ọ̀run” é o mundo espiritual. Lutar pelo àiyè deve ser preocupação de todos. Cuidar de nossa casa maior, o ambiente onde vivemos é tarefa das mais importantes e urgentes. Não cuidar de nossa casa maior é comprometer nossa própria sobrevivência enquanto seres humanos.

Esperamos ter contribuído com alguns elementos para refletir sobre a espiritualidade tradicional africana. Procuraremos futuramente desenvolver com maior profundidade as questões aqui esboçadas.

José Benedito de Barros, Mestre em Educação (Unesp, Rio Claro, SP, Brasil)
Olùkọ́ ti èdè yorùbá

sábado, 31 de março de 2012

Curso de yorubá 2012: Ẹ̀kọ́ mẹ́rin - Olúwa ní Olùṣọ́ àgùntàn mi


Orin Dafidi 23 (Orí Kẹ́talélogún)

1. Olúwa ní Olùṣọ́ àgùntàn mi; èmi kì yíò ṣe alaíní.
2. Ó mú mi dùbúlẹ̀ nínú pápá-оkо tútù; o mú mi lọ ṣi ìhà omi dídákẹ́ rọ́rọ́.
3. Ó tù ọkàn mi lara; o mú mi lọ nípa ọ̀nà òdòdó nítorí orúkọ rẹ̀.
4. Nítòótọ, bí mo tilẹ̀ nrìn láàrín àfonífòjì òjijì ikú èmi ki yíò bẹ̀ru ibi kan; nítorí ti Ìwọ pẹ̀lú mi; ọ̀gọ rẹ̀ ati ọ̀pà rẹ̀ nwọn ntù mi nínú.
5. Ìwọ tẹ́ tábìlì oúnjẹ silẹ̀ níwájú mi ní ojú àwọn ọ̀tá mi; ìwọ dà oróró si mi ní orí; aago mi si kún akúnwọsilẹ̀.
Ìtọ́ka sí ìparí – Olúwa ní Olùṣọ́ àgùntàn mi »

10.16.11 | Àpẹẹrẹ: àgùntàn, Olùṣọ́, Olúwa, Psalm 23 | Ẹ̀ka: Ìretí-Ayọ̀ (ònkọ́wé) |Èsì kan

http://www.abeokuta.org/yoruba/

Tradução

Olúwa ní Olùṣọ́ àgùntàn mi
(O senhor é meu pastor)

Orin Dafidi 23 (Orí Kẹ́talélogún)
(Salmo 23, da versão bíblica hebraica; Salmo 22 da versão católica)

Primeiro, apresentaremos a versão em yorubá; depois, a versão do texto bíblico (“Bíblia Sagrada”) da 34ª edição publicado pela Editora Ave Maria. Na sequência, apresentaremos uma versão nossa, fruto de livre pesquisa.

Texto em yorùbá com a versão em português da Editora Ave Maria.

1. Olúwa ní Olùṣọ́ àgùntàn mi; èmi kì yíò ṣe alaíní.
(O Senhor é meu pastor; nada me faltará)
2. Ó mú mi dùbúlẹ̀ nínú pápá-оkо tútù; o mú mi lọ ṣi ìhà omi dídákẹ́ rọ́rọ́.
(Em verdes prados ele me faz repousar; Conduz-me às águas refrescantes)
3. Ó tù ọkàn mi lara; o mú mi lọ nípa ọ̀nà òdòdó nítorí orúkọ rẹ̀.
( Restaura as forças de minha alma; pelos caminhos retos ele me leva, por amor de seu nome.
4. Nítòótọ, bí mo tilẹ̀ nrìn láàrín àfonífòjì òjijì ikú èmi ki yíò bẹ̀ru ibi kan; nítorí ti Ìwọ pẹ̀lú mi; ọ̀gọ rẹ̀ ati ọ̀pà rẹ̀ nwọn ntù mi nínú.
(Ainda que eu atravesse o vale escuro, nada temerei, pois estais comigo; vosso bordão e vosso báculo são o meu amparo)
5. Ìwọ tẹ́ tábìlì oúnjẹ silẹ̀ níwájú mi ní ojú àwọn ọ̀tá mi; ìwọ dà oróró si mi ní orí; aago mi si kún akúnwọsilẹ̀.
(Preparais para mim a mesa à vista de meus inimigos; derramais o perfume sobre minha cabeça; transborda a minha taça)

Texto em yorùbá com versão livre em português

1. Olúwa ní Olùṣọ́ àgùntàn mi; èmi kì yíò ṣe alaíní.
(O Senhor é meu cuidador de ovelhas; eu não serei pessoa necessitada)
2. Ó mú mi dùbúlẹ̀ nínú pápá-оkо tútù; o mú mi lọ ṣi ìhà omi dídákẹ́ rọ́rọ́.
(Ele conduziu-me para descansar em verdes pastos; ele conduz-me junto às águas às águas que acalmam)
3. Ó tù ọkàn mi lara; o mú mi lọ nípa ọ̀nà òdòdó nítorí orúkọ rẹ̀.
( Ele alivia meu espírito em meu ser; Ele me faz ir pelo caminho da justiça por causa de seu nome).
4. Nítòótọ, bí mo tilẹ̀ nrìn láàrín àfonífòjì òjijì ikú èmi ki yíò bẹ̀ru ibi kan; nítorí ti Ìwọ pẹ̀lú mi; ọ̀gọ rẹ̀ ati ọ̀pà rẹ̀ nwọn ntù mi nínú.
(Verdadeiramente, se eu, de fato, estiver atravessando o vale da sombra da morte eu não terei medo de nenhum mal; porque você está comigo; seu bastão e seu cajado estão me aliviando)
5. Ìwọ tẹ́ tábìlì oúnjẹ silẹ̀ níwájú mi ní ojú àwọn ọ̀tá mi; ìwọ dà oróró si mi ní orí; aago mi si kún akúnwọsilẹ̀.
(Você preparou uma mesa com comida à minha frente à vista de meus inimigos; você derramou perfume em minha cabeça; minha taça cheia transborda)

Vocabulário:

Aago – copo, taça, xícara, relógio, hora.
Àfonífòjì – vale, planície.
Àgúntàn – ovelha.
Akúnwọsilẹ̀ – cheio até a borda, transbordante.
Alaíní – pessoa necessitada, indigente. A grafia correta é aláìní.
Àwọn – eles, elas.
Bẹ̀ru – temer, ter medo.
Bí – se.
Dà – derramar, despejar.
Dùbúlẹ̀ – deitar.
Dídákẹ́ rọ́rọ́ – resfrescante, que acalma.
Èmi – eu.
Ibi – mal.
Ìhà – lado,lombo, região.
Ikú – morte.
Ìwọ - você.
Kan – um, coração.
Kì – não. O mesmo significado de “kò”.
Kún – abundar, cheio, encher.
Láàrín = Ni áàrín – no meio de, entre.
Lara = ni ara – no corpo, no ser humano, na pessoa humana.
Lọ - ir.
Mi – eu, mim, a mim, meu.
Mo – eu.
Mú – levar, conduzir.
N – gerúndio; nrìn: andando, caminhando, encharcando, umedecendo.
Ní – em.
Nínú – dentro, no interior.
Nítòótọ - verdadeiramente.
Nítorí – porque, por causa de.
Níwájú – diante, à frente.
Ntù - conduzindo, refrescando, confortando, aliviando
Nwọn = wọn – eles, elas.
O – você. No texto acima o “o” apareceu algumas vezes. A grafia está incorreta: deveria estar escrito “ó”, que significa ele ou ela.
Ó – ele ou ela.
Òdòdó – justiça, verdade, siceridade, equidade. Grafia correta: òdodo.
Ọ̀gọ - bastão.
Òjijì – sombra.
Ojú – vista.
Ọkàn – coração, espírito.
Olùṣọ́ – cuidador.
Olúwa – senhor, mestre.
Omi – água.
Ọ̀nà – caminho.
Ọ̀pà – cajado, bengala.
Orí - cabeça
Orin – cantiga, música, salmo.
Oróró – perfume, óleo, azeite.
Orúkọ - nome.
Ọ̀tá – inimigo.
Oúnjẹ - alimento, comida, refeição.
Pápá-оkо – prado, pasto, pastagem.
Pẹ̀lú – com, e.
Rẹ̀ – seu.
Si – para, em direção a.
Silẹ̀ – para baixo.
Ṣe – fazer, agir, realizar, ser.
Ṣi – abrir, descobrir.
Tábìlì – mesa.
Tẹ́ – colocar, arrumar, preparar.
Ti – ter, já, forma abreviada de àti.
Tilẹ̀ – de fato, entretanto, atacar, no chão.
Tù – conduzir, refrescar, confortar, aliviar.
Tútù – frio, fresco, úmido, verde.
Yíò – marca de futuro. O mesmo significado de “máa”.

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